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Divisão de IA da SpaceX supera Starlink, mas lucro ainda é baixo

Publicado originalmente en Startups y republicado con su autorización.

Agora é oficial: pela primeira vez, a divisão de inteligência artificial da SpaceX fatura mais que a Starlink. No terceiro trimestre, a unidade batizada de Super Intelligence somou US$ 7,56 bilhões em receita, mais de nove vezes o que tinha um ano antes e 52% de tudo o que a companhia arrecadou no período.

A Starlink, que por anos foi o motor financeiro do negócio, ficou com US$ 5,25 bilhões, alta de 69%. Os foguetes, que dão nome à empresa, entraram com US$ 1,77 bilhão. No total, a receita chegou a US$ 14,6 bilhões, um crescimento de 161%, e o lucro líquido foi de US$ 4,4 bilhões, contra prejuízo de US$ 1,1 bilhão no mesmo trimestre do ano passado.

Os números superaram as estimativas de analistas, que esperavam US$ 12,72 bilhões de receita e US$ 1,57 bilhão de lucro.

“Estamos num momento de inflexão na SpaceX, em lançamento, conectividade e superinteligência”, disse Elon Musk, em comunicado aos acionistas.

A virada foi construída em nove meses. Em fevereiro, a SpaceX comprou a xAI, formando uma companhia avaliada em US$ 1,25 trilhão. Em junho, fez o maior IPO da história, levantando US$ 75 bilhões na Nasdaq e ultrapassando US$ 2 trilhões de valor de mercado no primeiro dia. Em agosto, comprou a Cursor, que já responde por US$ 608 milhões da receita da divisão de IA.

A visão futura da SpaceX é tirar os data centers do chão. No memorando da fusão com a xAI, Musk escreveu que “a demanda global de eletricidade para IA simplesmente não pode ser atendida com soluções terrestres”, o argumento é que energia e refrigeração são o gargalo, e que satélite movido a energia solar resolve os dois.

A empresa já protocolou na FCC pedido para uma constelação que pode chegar a 1 milhão de satélites, e em outubro lançou chips de IA do Google em órbita junto com satélites da Planet Labs, no primeiro teste prático da ideia.

Quem ainda paga a conta

Apesar dos números animadores, tem um detalhe nessa conta. A divisão de IA fatura mais, mas quase não dá lucro: US$ 431 milhões de resultado operacional sobre US$ 7,56 bilhões de receita, margem de 5,7%. A Starlink teve US$ 2,4 bilhões de lucro operacional sobre receita menor, margem de 45,7%. Os foguetes deram prejuízo de US$ 7 milhões.

O desequilíbrio aumenta quando se olha o investimento: o capex do trimestre foi de US$ 19,6 bilhões, mais do que toda a receita do período, e US$ 16,4 bilhões disso foram para IA e data centers. São US$ 84 de cada US$ 100 investidos. Para o quarto trimestre, a empresa projeta gastar entre US$ 35 bilhões e US$ 40 bilhões.

A aposta é que a receita acompanhe: a projeção da própria SpaceX para o primeiro trimestre de 2027 é de US$ 33 bilhões a US$ 37 bilhões. Enquanto isso, a Starlink segue crescendo em base e encolhendo em ticket, passando de 7,2 milhões para 13,6 milhões de assinantes, com receita média mensal por usuário caindo de US$ 99, em 2023, para US$ 69.

Fuente: Startups. Autor: Leandro Miguel Souza. © Startups, todos los derechos reservados.

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